terça-feira, 11 de outubro de 2016

Aberta consulta pública sobre o Plano Javali

Medida prevê controle da espécie exótica invasora e a mitigação dos impactos ao meio ambiente e à agropecuária.

Foi aberta, nesta quinta-feira (07/10), consulta pública do Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus scrofa). 

A espécie exótica invasora, presente em grande parte do território nacional, principalmente no sul e sudeste, é responsável por graves impactos ao meio ambiente e à atividade agrícola. 

Os mais prejudicados com a invasão das lavouras são os pequenos agricultores e a agricultura familiar.

A consulta vai até o dia 21 de outubro e deve ser feita pelo portal do Ibama. Produtores rurais, estudiosos da fauna e pessoas em áreas onde há presença do animal podem dar sua contribuição. O objetivo é reunir subsídios para o diagnóstico sobre a invasão do javali no país e a proposta de estrutura do Plano. O cronograma de atividades inclui a proposição de ações para a prevenção, controle e monitoramento do javali, que será realizada na oficina de elaboração do Plano prevista para novembro.

O javali, considerado uma das piores espécies invasoras do mundo, é um porco selvagem. Seu habitat natural é a Europa, Ásia e norte da África. Introduzido em diversas regiões do mundo para o abate. Sendo liberado para o meio ambiente, onde se reproduz sem controle por falta de predadores naturais e pode cruzar com os porcos domésticos. 

O Plano Javali vem sendo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto com suas vinculadas: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO); e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Paulenir Constâncio | MMA

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Emissões de nitrogênio na América Latina devem ser monitorados

Os países da América Latina, juntamente com a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul – que, com o Brasil, formam o BRICS –, são os maiores emissores atualmente de nitrogênio reativo, como amônia e óxido de nitrogênio.

Apesar de os países da região e os BRICS serem os maiores usuários de fertilizantes nitrogenados, os impactos das emissões do gás em suas formas reativas não têm sido avaliados

Os impactos no ambiente, no clima e na saúde humana das emissões de nitrogênio nessas e outras formas reativas pela queima de combustíveis fósseis, uso de fertilizantes nitrogenados e esgoto não tratado nesses países, contudo, não têm sido monitorados.

O alerta foi feito por especialistas durante a “School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, Environmental Sustainability and Climate Change”, financiada pela FAPESP, por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), que ocorreu entre os dias 31 de julho e 10 de agosto em São Pedro, no interior de São Paulo.

Realizado pelo Cena-USP e o Inter-American Institute for Global Change Research (IAI), o evento reuniu 100 estudantes de graduação e pós-graduação, sendo 50 do Brasil e 50 do exterior, para discutir a distribuição desigual de nitrogênio no mundo e seu impacto na sustentabilidade ambiental em um cenário de mudanças climáticas globais.

“É preciso estabelecer uma rede de monitoramento contínuo, com séries temporais de 20 anos, por exemplo, para avaliar como o aumento da urbanização e o uso de fertilizantes nitrogenados em larga escala têm impactado os ecossistemas na América Latina e nos países do BRICS”, disse Tibisay Pérez, professora do Centro de Ciências Atmosféricas e Biogeoquímica do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (IVIC), à Agência FAPESP.

“Com isso, seria possível estabelecer políticas públicas mais direcionadas às necessidades dos países desses dois blocos”, avaliou Pérez.

De acordo com a pesquisadora, os países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, onde já existe esse monitoramento, atingiram o limite máximo de uso de fertilizantes nitrogenados em sua agricultura.

Por meio de uma combinação de tecnologias com políticas públicas, como o fim dos subsídios à produção de fertilizantes na década de 1990, os países da União Europeia – onde cerca de 60% das emissões de nitrogênio reativo são provenientes da agricultura – conseguiram reduzir suas emissões de óxido de nitrogênio em 49% em 2009 em comparação com 1990, segundo dados apresentados por Jan Willem Erisman, professor da Vrije Universiteit Amsterdam, da Holanda, durante o evento.

Atualmente, os países europeus têm discutido estratégias para diminuir as emissões de nitrogênio reativo e vêm trabalhando com conceitos como o de “pegada de nitrogênio” – a quantidade de nitrogênio reativo liberada para o meio ambiente como resultado do consumo de recursos como alimentos e combustíveis fósseis.

Já os países do BRICS e da América Latina, os maiores usuários atualmente de fertilizantes nitrogenados, passam por um processo de urbanização descontrolado, que tem impacto no aumento das emissões de nitrogênio reativo pela queima de combustíveis fósseis e por efluentes nessas regiões urbanas.

Na América Latina, por exemplo, apenas 20% do esgoto doméstico é tratado e 17% da população não tem acesso a saneamento básico, apontou Jean Pierre Ometto, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em palestra no evento.

Como os países latino-americanos estão situados em regiões tropicais e subtropicais, que concentram hotspots de biodiversidade, seus ecossistemas podem estar fortemente ameaçados pelos impactos da deposição de nitrogênio, suspeitam os pesquisadores participantes da Escola.

“A América Latina tem passado por um rápido processo de urbanização e de substituição de sistemas tradicionais de produção agrícola para uma agricultura mecanizada e com alto uso de fertilizantes nitrogenados, sem levar em conta a questão das emissões de nitrogênio reativo”, disse Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo a pesquisadora, o aumento da deposição de nitrogênio reativo na atmosfera é reconhecido hoje como um dos principais fatores contribuintes para redução da diversidade de plantas em ecossistemas naturais e seminaturais por acidificar e tornar o solo tóxico, entre outros impactos.

Os dados disponíveis sobre os impactos da deposição de nitrogênio na diversidade de plantas, contudo, foram obtidos quase que exclusivamente a partir de estudos realizados no norte da Europa e na América do Norte, ponderou.

“É muito importante obter dados de regiões onde esse problema começou a aumentar recentemente ou deverá crescer em um futuro próximo, como a América Latina e os países do BRICS”, apontou.

A China, por exemplo, utiliza em algumas áreas voltadas à horticultura 400 quilogramas de nitrogênio por hectare. Já o Brasil e a África do Sul costumam fertilizar culturas como o milho com 120 quilogramas por hectare.

No outro extremo, na África Subsaariana, costuma-se fertilizar culturas com 8 quilogramas por hectare, comparou Bustamante. “Enquanto há regiões no mundo onde há um excesso de uso de fertilizantes, em outras há um problema de déficit”, ponderou.

“Há diferenças regionais marcantes. E os países que precisam aumentar o nível de fertilizantes nitrogenados devem evitar seguir os caminhos das nações poluidoras e buscar formas mais sustentáveis de incrementar a fertilidade do solo”, apontou.

Segundo ela, essa recomendação vale também para o carbono. Os especialistas têm sugerido aos países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos que optem por rotas de desenvolvimento de baixo carbono e não sigam a trajetória convencional de desenvolvimento.

Aliança internacional

Com base na constatação de que as emissões de nitrogênio reativo representam hoje um problema global, mas apresentam disparidades regionais, a pesquisadora e um grupo de cientistas de diversos países começaram a articular, no início dos anos 2000, a criação de uma iniciativa internacional para evidenciar o problema.

Batizada de International Initiative Nitrogen (INI), a rede global de cientistas foi fundada formalmente no início de 2003, patrocinada pelo Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, da sigla em inglês) – agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – e pelo International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP).

A INI interage com tomadores de decisão a fim de identificar alternativas para otimizar o uso de fertilizantes nitrogenados e minimizar os efeitos negativos das emissões de nitrogênio reativo. A rede possui centros regionais na Europa, Américas do Norte e Latina, África do Sul e Leste da Ásia, contou Bustamante.

“A ideia é não só alertar os tomadores de decisão sobre os impactos ambientais, no clima e na saúde causados pelo aumento das emissões de nitrogênio reativo na atmosfera, como também chamar a atenção para a necessidade de se criar uma rede de monitoramento e estimular a realização de mais estudos em determinadas regiões do mundo, como a América Latina”, explicou.

Os efeitos da deposição de nitrogênio reativo nos ecossistemas são cumulativos e ocorrem ao longo do tempo, podendo demorar décadas para se manifestarem. Além disso, os níveis críticos de deposição para diferentes biomas variam, ponderou Bustamante.

“O nível crítico para a Mata Atlântica, por exemplo, não é o mesmo para a Amazônia, o Cerrado ou a Caatinga. Por isso é necessário monitorá-los”, justificou.

Fertilizantes sintéticos

Nutriente essencial, vital para a sobrevivência dos humanos e todos os outros organismos vivos, o nitrogênio está presente abundantemente na atmosfera, porém de forma não-reativa ou inerte, que a maioria dos organismos, como as plantas, são incapazes de utilizá-lo quimicamente como nutriente.

Em 1909, entretanto, o químico alemão Fritz Haber (1868-1934) desenvolveu um método de transformar esse gás não-reativo em uma forma reativa – a amônia, ingrediente ativo dos fertilizantes sintéticos, que é um recurso relativamente escasso na maioria dos ecossistemas naturais e em lavouras no mundo.

O desenvolvimento e adoção de processos de produção e uso de fertilizantes sintéticos levou a um aumento dramático da produtividade agrícola, e estima-se que hoje 48% da população mundial se alimente por causa dos fertilizantes.

Devido à baixa eficiência na utilização dos fertilizantes sintéticos nitrogenados na agricultura, contudo, grandes quantidades de nitrogênio reativo são liberados na biosfera atualmente, explicou Bustamante.

Elton Alisson | Agência FAPESP

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Epamig desenvolve 'refrigerante do bem', bebida láctea saudável

Produto à base de soro do leite tem alto valor nutricional e ajuda a prevenir doenças como catarata e degeneração macular

O 'refrigerante do bem', bebida láctea de baixo custo que utiliza leite e soro de leite | Divulgação/Simi

Um 'refrigerante do bem' é a grande novidade que poderá beneficiar quem não abre mão de se refrescar com este tipo de bebida, mas quer manter a saúde. 

A Empresa de Pesquisa e Agropecuária de Minas Gerais - Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) está desenvolvendo um produto lácteo carbonatado acidificado, inédito no mercado.

A bebida é fabricada à base de soro de leite e leite, enriquecido com luteína, que confere mais valor nutricional em relação a outros e não existe nenhum produto similar nas lojas.

“Além de ser muito refrescante, se comparada às bebidas tradicionais, apresenta maior valor nutricional por veicular não apenas 'calorias vazias', mas proteínas, vitaminas e minerais, além de ser uma alternativa para aproveitamento racional e sustentável do soro de leite, considerado um produto nutritivo, altamente aceitável e com custo reduzido”

De acordo com o pesquisador, o soro do leite é muito rico nutricionalmente. O alimento possui cerca de 0,8 % de proteínas de alto valor biológico, em razão de sua composição e tem alta concentração de aminoácidos essenciais com biodisponibilidade (facilmente absorvido pelo trato intestinal).À esquerda, o pesquisador Junio César na Inova Minas

“O soro constitui fonte de cálcio, sódio, magnésio, potássio e fósforo, além de conter a maior parte das vitaminas hidrossolúveis presentes no leite, sendo particularmente rico em vitaminas do complexo B”, destaca.

O prazo de validade estendido da bebida láctea é outro diferencial. "O produto pode durar até 90 dias sob temperatura ambiente ou refrigeração sem alteração das proteínas do leite", completa.

A bebida láctea acidificada desenvolvida na Epamig ILCT pode ser considerada um alimento funcional.

Além de nutrir, traz benefícios à saúde porque é adicionada de luteína, um dos principais pigmentos maculares contidos na retina humana, sendo responsável por duas funções fundamentais: proteger a mácula (área da retina responsável pela visão de detalhes) contra o estresse oxidativo (função antioxidante) e filtrar a luz azul de alta energia, melhorando a acuidade visual.

Por meio desses mecanismos, se acredita que a luteína possa contribuir para a diminuição do risco de ocorrência de catarata e de degeneração macular relacionada à idade.

O produto é resultado de projeto de pesquisa da Epamig ILCT, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemig), e ainda está em fase de estudos e planejamento para avaliar a produção em larga escala e sua colocação no mercado por meio de parcerias com instituições de pesquisa e empresas.

Sem problemas ambientais

Elaborada à base de soro de leite proveniente da fabricação de diversos tipos de queijos, o produto ajuda a eliminar um problema ambiental em relação ao soro que, muitas vezes, é dispensado na natureza sem qualquer tratamento ou utilizado para alimentação animal.

“O processo de fabricação da bebida tem custo reduzido e não demanda grandes investimentos, podendo ser facilmente produzida e comercializada pelas pequenas indústrias de laticínios”, observa Junio de Paula.

Mostra Inova Minas Fapemig

A pesquisa bebida láctea carbonatada acidificada adicionada de luteína está entre os projetos de destaque que participaram da Inova Minas, realizada no primeiro final de semana de agosto, no circuito Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. 

Organizado pela Fapemig, o evento mostrou os avanços científicos que influenciam a vida dos cidadãos.

Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia

O refrigerante do bem também irá integrar a Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit), de 9 a 13 de novembro no Expominas, que e vai concentrar três eventos: a Campus Party, a 100 Open Startups e a DemoLatam.

Todos as feiras acontecem simultaneamente e devem atrair investidores, estudantes, acadêmicos e demais interessados no tema tecnologia e inovação.

Agência Minas

Embrapa lança site sobre Código Florestal

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou o site Código Florestal: contribuições para adequação ambiental da paisagem rural, um canal de informações para produtores rurais e técnicos ambientais com informações sobre como adequar as propriedades às exigências do novo Código Florestal (Lei nº 12.651).

Voltada a produtores rurais e técnicos ambientais, página traz orientações sobre adequação de propriedades às exigências do novo Código Florestal (Foto: Caren Henrique/Embrapa)

O serviço traz orientações técnicas para a recuperação de áreas degradadas, dicas de boas práticas agropecuárias e explica as características e as dimensões das áreas protegidas pela lei ambiental: as Áreas de Preservação Permanente (APP), as Áreas de Reserva Legal (ARL) e as Áreas de Uso Restrito (AUR), de acordo com a Agência Embrapa de Notícias.

As estratégias de recuperação, proteção e manejo apresentadas no site resultam de estudos e testes realizados por pesquisadores e analistas da Embrapa e de instituições parceiras, entre elas universidades e institutos federais e estaduais.

Consultas de espécies nativas por bioma e mapas dos viveiros e produtores de sementes espalhados pelo Brasil também estarão disponíveis aos usuários do site. Até o momento é possível consultar apenas as espécies nativas do Cerrado e os viveiros do Estado de Minas Gerais.

“Temos que dar alternativas para o produtor. Estamos trabalhando há mais de quatro anos nesse desafio de procurar onde estavam essas informações dentro e fora da Embrapa e fazê-las chegar a quem precisa”, disse José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa e colaborador do projeto, em nota divulgada pela instituição.

Mais informações: www.embrapa.br/codigo-florestal.

Agência FAPESP

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Polpa de beterraba: uma fonte de alta energia para cavalos atletas

Guabi lança suplemento único com alta concentração da polpa

A cada dia os donos de cavalos buscam alternativas para suprir as necessidades de seu animal. Talvez o que muitos não saibam é que a polpa de beterraba é um excelente alimento, principalmente, para os cavalos atletas ou de resistência que necessitam de altas calorias. Apesar de ser calórico, não eleva o índice glicêmico e não causa problemas em seu casco. Outra vantagem, é um alimento ingerido de forma lenta, proporcionando benefício a longo prazo, diferentemente de concentrados de grãos, que são processados pelo corpo rapidamente. Por conter alta concentração de pectina, oferece melhor ambiente pré-cecal e estabiliza o pH, o que resulta no melhor aproveitamento dos nutrientes. Óleo e carboidratos também são indicados.

A fibra da polpa de beterraba, quando adicionada na dieta, melhora a digestão dos alimentos, porque gera menor concentração de ácido lático pós exercício e ajuda a promover uma flora intestinal saudável. E para equilibrar o trato gastrointestinal o ideal é incluir volumoso à vontade.

Além de uma dieta equilibrada e rica em energia, é necessário o fornecimento diário de água limpa e de qualidade. Pois durante os exercícios, os equinos perdem muitos sais minerais através da transpiração. Para que haja um equilíbrio, é necessária a reposição constante de hidroeletrolítico. Para consolidar, é importante observar o funcionamento do trato digestivo, já que o intestino atua como reservatório de água e eletrólitos. Entretanto, quanto maior a demanda de nutrientes, maior é a absorção intestinal. 

Para usufruir de todos os benefícios contidos na polpa de beterraba – a Guabi – uma das mais conceituadas empresas no segmento de nutrição e saúde animal lança com exclusividade no Brasil – a Guabitech Beet – única ração com alta concentração de polpa de beterraba (com porcentual de 16%), direcionada para cavalos de alta performance; idosos ou em reprodução. Um produto que atende às principais necessidades dos veterinários. Por conter alto teor de betacaroteno - um precursor da vitamina A - que entra com ação antioxidante no organismo, aumenta a resposta imune, tornando o animal mais resistente. Este é o primeiro lançamento da Guabitech - linha super premium criada para distinguir os produtos de indicação profissional da Guabi. 

A Guabi estará apresentando a Guabitech Beet durante a 35ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, até o dia 23 de julho, no Parque de Exposições Bolivar Andrade Gameleira, em Belo Horizonte / MG.

Cinthya Ramos | LN

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Produção de mandioca é comemorada com festa em Almenara

Divulgação/Emater MG
Entre os dias 10 e 12 será realizada a 15ª Festa da Mandioca. Emater-MG presta assistência técnica aos agricultores familiares do município

A tradição em produzir mandioca será celebrada por três dias em Almenara, no Vale do Jequitinhonha. Entre os dias 10 e 12 de junho, será realizada a 15ª Festa da Mandioca, no Parque de Exposições da cidade. O evento é organizado pela Emater-MG, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Almenara. A abertura oficial será nesta sexta-feira, 10, às 20h30, com a presença do presidente da Emater-MG, Glenio Martins. 

“A mandioca é uma das principais fontes de renda dos agricultores familiares de Almenara, ao lado da pecuária. É cultivada pela resistência climática, já que a região é caracterizada pela estiagem e escassez de chuvas. Nosso objetivo, com a festa, é divulgar cada vez mais a cultura da mandioca no município e, assim, também fortalecer a agricultura familiar”, destaca a extensionista da Emater-MG, Milene Oliveira Ângelo. 

A programação da 15ª Festa da Mandioca possui shows, concurso da Raiz Mandioca (que avalia qualidade e formação da raiz), exposição e comercialização do artesanato local, barraquinhas de comidas típicas e parque de diversões. Em área reservada para a agricultura familiar, cerca de 120 produtores vão expor e comercializar seus produtos. A expectativa é receber aproximadamente 10 mil visitantes durante os três dias de evento. 

Importante cultura para o município

Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais apontam que, em 2015, Almenara registrou uma produção de 8 mil toneladas, em uma área total de 890 hectares. 

A Emater-MG presta assistência técnica a aproximadamente 1.300 agricultores familiares por ano no município. Segundo a extensionista, quase todos agricultores trabalham com a produção da mandioca. “Seja como produção principal ou com pequenas hortas, quase todos produtores atendidos trabalham com a raiz. A cultura é muito importante para região porque além de base de alimentação, também é o sustento de milhares de famílias distribuídas em diversas comunidades rurais da região”, ressalta Milene. 

Além de prestar assistência técnica, a Emater-MG acompanha todo processo de produção e auxilia na comercialização, através de mercados institucionais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A Empresa ainda atua diretamente com cinco agroindústrias coletivas de processamento de mandioca que fabricam farinha e polvilho. 

Produção 

Cultivada principalmente por pequenos agricultores, em 2015 a cultura da mandioca ocupou uma área de 57 mil hectares em Minas Gerais, com produção de aproximadamente 842 mil toneladas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a estimativa de produção em 2016 é de 860 mil toneladas. As principais regiões produtoras do Estado são o Norte e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri, que concentram 40,5% da produção mineira. 

O Brasil é o segundo maior produtor da raiz em todo mundo. Ainda de acordo IBGE, em 2015, a área plantada no país foi de 1,5 milhão de hectares, com uma produção de 27,2 milhões de toneladas. Para 2016, a previsão é de uma safra de 22,4 milhões de toneladas. Os estados do Pará e Paraná são os maiores produtores do país. Minas Gerais ocupa a 9ª posição. 

Abertura Oficial da 15ª Festa da Mandioca
Data: 10/06 (sexta-feira)
Horário: 20h30min
Local: Parque de Exposições de Almenara
Endereço: Rua Tude Tupi, 587 – Almenara/MG 

Thiago Fernandes | Comunicação - Emater-MG

sexta-feira, 6 de maio de 2016

2016: Ano para quem sabe superar

José Luiz Tejon Megido*

Crises são ótimas, pois nos obrigam a criar. A fórmula para o enfrentamento da entropia é criatividade. Quando olhamos para o cooperativismo brasileiro, suas origens, seus desafios, vamos encontrar seres superantes da melhor espécie. Pessoas em pequenos grupos, visionários corajosos, valentes, iniciaram no passado o que hoje nos orgulhamos de ver representado pela OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, pelo atual líder, Marcio Lopes de Freitas.

Da mesma forma a superação borbulha por todos os cantos e campos do agronegócio do país. Na parábola bíblica do semeador, é recomendado “não plantar em terras fracas“. O Brasileiro que supera, transcendeu até este ensinamento e hoje colhe mais de 650 milhões de toneladas de cana em terras fracas, consideradas no passado, inviáveis. Da mesma forma a força da superação vive exemplificada na evolução competitiva sensacional da produção de grãos, da suinocultura, da avicultura, dos saltos qualitativos da carne bovina e do leite. E, iremos ver esse mesmo espetáculo superante na aquicultura dos próximos anos.

O amigo Ivan Wedekin, ex-secretário da política agrícola no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, na época do Ministro Roberto Rodrigues, me disse estes dias que o impacto do governo sobre a receita do produtor nacional é de apenas 3%. Ou seja, os produtores brasileiros têm progredido e vieram a ser nesta metade da segunda década do novo século, exemplos vivos de superação concreta, como protagonistas.

A agroindústria processadora no país, em meio a custos logísticos impressionantes, a tributação e a desgovernança pública e política, demonstra liderança global. Compete com grupos multinacionais e sistemas de proteção gigantescos. Até no carnaval, vimos o samba nas avenidas sob o ponto de vista da organização, do processo, da mesma forma com a qual a moderna carne brasileira é produzida e vendida no mundo todo. 

Ou seja, de histórias de superação não temos falta no agronegócio brasileiro. Não temos falta no setor sucroenergético que supera a cada dia depois de ter passado pela última crise em 2014. Temos uma representante como a Beth Farina, presidente da UNICA, com tamanha integridade e competência. Basta querer ver. E o ano exige foco nos fundamentos do negócio. O ano exige ênfase em vendas. O ano exige clarificar. E, com quem vamos nos relacionar para irmos ao futuro!?

Na minha tese de doutorado, batizada “A pedagogia da superação”, realizei vários estudos com grupos humanos e observei pessoas que, sob circunstancias difíceis superaram. Fiz a comparação com outros, que sob as mesmas condições fracassaram, fraquejaram e se permitiram ao abandono. Sim, ao desistir abandonamos, e acima de tudo, abandonamos a nós mesmos. Nesse estudo encontrei 10 fatores vitais, essenciais presentes naqueles que aprenderam a superar. Sim, é uma pedagogia. Significa conhecer, ter possibilidade de aprender, de ensinar e de ser algo viável como aprendizagem. Dessa forma, para superar precisamos tomar consciência e desenvolver esses 10 fatores fundamentais:

1- Limiar de dor: Pessoas que superam são muito mais resilientes, sofrem, choram, caem, mas sabem suportar dores que afugentam e atemorizam aqueles que não superam.

2- Protagonistas versus vítimas: Pessoas que superam foram ensinadas ao protagonismo, jamais vitimização.

3- Talentos e habilidades: pessoas superantes guardam dentro de si um dom, uma vocação. Sabem fazer obras extraídas de si e, com esse poder geram fatos para superação das circunstancias.

4- Amabilidade: gente que supera é amável. Quer dizer atraem ajuda. Os fatores incontroláveis, a incerteza e o acaso estão presentes na ordem do universo. A amabilidade atua como fator de atração das ajudas e de caminhos de oportunidades. Terminam por receber dos outros, luzes inestimáveis.

5- Engajamento em profundidade. Gente que sabe superar é engajada. Atuam na vida comprometidos em corpo, alma e espírito. Dessa forma enxergam e captam o que escapa a maioria. 

6- Capacidade de amar. A superação exige amor. Significa concentração e foco, e um olhar apaixonado pela causa, pela coisa, pelo objetivo a ser superado. Amar será sempre a capacidade da renovação do amor.

7- Crianças vivas dominantes: adultos que superam são aqueles que conseguem manter suas crianças vivas interiores fortes, curiosas, estimuladas, vibrantes e animadas. Aprendem a aprender.

8- Inteligência emocional: a superação ao ser obtida exige estabilização, inteligência emocional. As disrupturas foram grandes, e é chegada uma hora de construir em alicerces firmes.

9- Foco priorizado em valores: os valores fundamentais e eternos precisam estar presentes, e preservados, como uma coluna dorsal sobre a qual as lutas existirão, mas serão as fortalezas, as sabedorias que nos farão vencer não apenas a curto, mas a longo prazo. A superação que vale é aquela que pode ser julgada pelo tempo.

10- Criatividade: o poder criador humano é um talento divino, uma competência que nos permite criar valor a partir da própria vida e sob quaisquer circunstancias. Criamos do lixo, criamos da crise, criamos do nada, e podemos criar com o que já temos nas nossas mãos, como exemplificamos na música, tocando sucessos diferentes com os mesmos 4 acordes.

Esses 10 ingredientes encontrei nos meus estudos e estão presentes nos casos e seres humanos que superam. Neste ano de 2016, temos mudanças para enfrentar, sistemas internacionais em conflito, choques multiplicados e alavancados pela interatividade mediática. “Disruption“ é um nome desta era. Mutação acima de transformação. Velocidade. Gerações midiáticas, quer dizer imediatas e mediáticas. Porém, será exatamente desta era, que veremos sair uma maior consciência de sustentabilidade, de saudabilidade, de empreendedorismo e volta a um novo campo, ao melhor cooperativismo e ao inexorável ser humano global.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. 

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