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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Nova edição da revista Visão Agrícola aborda o milho

Publicação da ESALQ destaca que o Brasil amplia cultivo para atender demanda crescente

A cultura do milho tem passado por uma série de transformações no Brasil, inclusive aquelas voltadas a tornar o referido grão uma cultura mais nobre, para os consumidores, e rentável, para os produtores brasileiros. Nesse sentido, a nova edição da revista Visão Agrícola, publicação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), traz uma série de aspectos e ações que contribuíram para a alavancagem dos negócios atrelados à cultura do cereal.

A edição parte de um resgate histórico do milho no Brasil e no mundo, passando por temáticas relacionadas às inovações tecnológicas pertinentes à cadeia de produção, incluindo: seu melhoramento genético, sua fisiologia, o manejo do solo, os processos de proteção, a aquisição de insumos e a própria cultura; a utilização de técnicas mais eficientes voltadas a atividades de colheita, armazenagem e beneficiamento; industrialização e comercialização dessa – agora – commodity agrícola.

Os grandes desafios da cultura também são objeto de atenção dessa edição: as questões ambientais, os processos de reposição da fertilidade dos solos, os transgênicos e a efetividade do controle de pragas, entre outros.

Segundo especialistas, nos próximos 10 anos o preço do cereal deve aumentar 5,5% ao ano e a produtividade deve crescer cerca de 5,2 t/ha, com a ampliação das exportações.

Esse e outros exemplares da revista Visão Agrícola podem ser acessados no site http://www.esalq.usp.br/visaoagricola/

Os artigos da edição sobre o milho estão disponíveis neste link: http://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/Esalq-VA13-Milho.pdf

Caio Albuquerque | Comunicação/Esalq

sábado, 31 de janeiro de 2015

Novo sistema de manejo conserva a palmeira-juçara

As questões sobre a compatibilidade do desenvolvimento socioeconômico e a conservação da biodiversidade nas regiões tropicais têm sido um dos grandes desafios da humanidade. 

Estudo busca alavancar recuperação e conservação da palmeira-juçara da espécie | Foto: Saulo Souza

Assim, para alavancar a conservação e a recuperação da palmeira-juçara (Euterpe edulis) e, ao mesmo tempo, trazer melhoria dos meios de vida das populações humanas das regiões de Mata Atlântica, uma pesquisa foi desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pelo doutorando Saulo Eduardo Xavier Franco de Souza. A orientação foi do professor Edson José Vidal da Silva, do Departamento de Ciências Florestais.

A juçara é uma espécie importante ecológica, cultural e economicamente. A polpa de seus frutos é semelhante à do açaí amazônico e sua produção tem sido realizada em diversas localidades do sul e sudeste brasileiro na última década. O uso dos frutos valoriza a sobrevivência das palmeiras. Já o corte de palmito, inevitavelmente, aumenta a mortalidade. Além disso, as sementes geradas do processo de beneficiamento são aptas a germinar, possibilitando a recuperação da espécie. “O manejo da juçara para frutos, pode representar uma oportunidade de trabalho e renda para as comunidades rurais, bem como estimular a sobrevivência e recuperação da espécie”, explica o doutorando.

Para a realização da pesquisa, que teve início em 2011, Souza estudou iniciativas de produção de polpa da juçara por quatro comunidades situadas no entorno e interior do Parque Estadual da Serra do Mar, núcleos Santa Virgínia e Picinguaba, nos municípios de Natividade da Serra e Ubatuba (SP). “Foram selecionadas as comunidades da Vargem Grande, Sertão do Ubatumirim, Sertão da Fazenda e Cambury, pois estão engajadas por mais tempo na produção de polpa”, destaca o pesquisador.

A pesquisa foi conduzida, principalmente, por meio de entrevistas com os comunitários e monitoramento da produção de frutos e da dinâmica populacional em parcelas permanentes instaladas em áreas manejadas pelas comunidades e não manejadas no interior do parque, que totalizaram 1,9 hectares. Essas parcelas também foram utilizadas para amostrar a diversidade de árvores, para que pudesse avaliar a complementaridade dessas áreas para a conservação de outras espécies também.

O estudo abrangeu os principais tipos de vegetação onde a juçara é manejada — florestas secundárias e sistemas agroflorestais. “Essas áreas recebem diferentes níveis de intensidade de manejo agroflorestal. Além disso, a amostragem também representou três faixas de altitude da Serra do Mar, Terras Baixas (até 50 m), Submontana (50-500) e Montana (500-1500)”, ilustra Souza.

Principais resultados

O pesquisador ressalta que a colheita dos frutos é feita de forma não destrutiva. Após a colheita, ainda sobram cerca de 70% dos cachos na área. Cada grupo colhe frutos de 10 a 30 palmeiras por dia, o que rende, em média, 87 quilos (Kg) de frutos e 45 litros de polpa. “A quantidade de frutos restantes sugere que a atividade não prejudica a fauna que depende dos frutos, apesar de ainda ser necessário aprofundar essa questão”, lembra o pesquisador. Observou-se, ainda, que o novo sistema de manejo da juçara pode contribuir com o fortalecimento comunitário a partir da diversificação da produção familiar e aumento de renda.

Para o pesquisador, um dos desafios para a sustentabilidade do manejo de espécies nativas consiste em garantir a reprodução da espécie enquanto produz e comercializa. “Acompanhamos 712 palmeiras por três anos e verificamos que os adultos produtivos rendem, em média, 5,6 Kg de frutos por ano, chegando a 21 Kg por palmeira. Também registramos a maior média do número de cachos por palmeira já observada para a espécie (3,1), bem como um padrão de redução deste número conforme aumenta a altitude”, destaca o agrônomo.

Estímulos à sobrevivência

Por fim, foram verificadas as tendências demográficas da juçara por meio de modelos matriciais. A maioria das populações tende à estabilidade nos próximos 100 anos, mas aquelas que morreram mais adultas podem reduzir até 3% ao ano. “As análises demostraram a importância da sobrevivência de adultos para a viabilidade populacional em longo prazo. Simulações estocásticas do aumento da taxa de colheita de frutos (até 100%) demonstraram não afetar significativamente a taxa de crescimento populacional. Dessa forma, a colheita de frutos juçara alinha-se com a principal estratégia de manejo recomendada para a saúde das populações da espécie: o estímulo à sobrevivência das palmeiras adultas”, reforça.

Antes de finalizar, Souza comenta que há menos de um ano foi editada uma resolução estadual para regulamentar o manejo de espécies nativas da Mata Atlântica (Res. SMA 14/2014). A juçara foi a primeira espécie contemplada com regras específicas em anexo a esta resolução, desta vez regulamentando o uso de frutos, sementes e mudas, além do palmito. “As experiências da Serra do Mar foram determinantes para tal. Assim, esta pesquisa sobre os sistemas de manejo de juçara na Serra do Mar se conclui em momento oportuno para ampliar a discussão com a sociedade sobre manejo sustentável na Mata Atlântica”, conclui o pesquisador.

Por Alicia Nascimento Aguiar | Esalq em Piracicaba

sexta-feira, 25 de julho de 2014

5° Encontro de Produtores de Hortaliças

ilustração
Em comemoração ao dia do agricultor, acontecerá em 28 de julho, o 5° Encontro de Produtores de Hortaliças. Esta edição do evento abordará o tema “O clima e a agricultura nos próximos 30 anos”.

A atividade, aberta para produtores rurais e profissionais do setor, tem como objetivo apresentar e discutir, por meio de palestras, os cenários futuros da agricultura brasileira. O assunto principal será o aumento da temperatura e a deficiência hídrica para as plantas.

O evento acontecerá no Sítio Santana, localizado na Rodovia SP 127, Piracicaba-Rio Claro, km 20 – Piracicaba, SP, das 14h30 às 20h.

As inscrições, gratuitas, podem ser feitas de segunda à sexta-feira, das 08h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00, na CPR que fica na Avenida Pádua Dias, 11, bairro São Dimas.

Informações pelo telefone (19) 3429-4178 ou pelo e-mail cprural@usp.br.

A realização é da Casa do Produtor Rural (CPR) e IBS Mudas, com o apoio da Diretoria da ESALQ, Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx), Serviço de Cultura e Extensão Universitária (SVCEx), Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ), Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SEMA), Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (GEAGESP/CEASA de Piracicaba) e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (CEPAGRI).

Programação

14h30 – Confirmação de inscrição e entrega de materiais
15h00 – Palestra: O clima e a agricultura nos próximos 30 anos (Professor Hilton Silveira Pinto – CEPAGRI/UNICAMP)
16h00 – Confraternização em comemoração ao “Dia do Agricultor”
20h00 – Encerramento

Lucas Jacinto | Comunicação USP ESALQ

terça-feira, 13 de maio de 2014

Doutorando da Esalq conquista prêmio internacional

Gerhard Waller | Acom/ESALQ
A saúde intestinal das aves consiste no foco de estudos realizados pelo veterinário Cristiano Bortoluzzi (foto), aluno do programa de pós-graduação (PPG) em Ciência Animal e Pastagens, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), cuja dissertação de mestrado foi defendida no mês de fevereiro. 

Como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Bortoluzzi também realizou, entre julho e setembro de 2013, um trabalho adicional em parceria com a Purdue University, em Indiana, Estados Unidos. O paper originário das duas pesquisas rendeu ao pesquisador o primeiro lugar do prêmio Alltech Young Scientist Competition da região América Latina.

O Alltech Young Scientist reúne os mais brilhantes pensadores científicos provenientes de faculdades e universidades do mundo todo. O programa oferece aos estudantes a oportunidade de serem premiados por suas pesquisas científicas e concorrerem internacionalmente no mais alto nível acadêmico. Dessa forma, Bortoluzzi, já premiado na primeira etapa da competição, participará entre 18 e 21 de maio, da competição global, que será realizada na matriz em Lexington, estado de Kentucky, durante o 30º Simpósio Anual da Alltech.

José Fernando Machado Menten, docente do Departamento de Zootecnia da ESALQ e orientador de Cristiano, revela que sempre que se encontra diante de um orientado com formação em veterinária, tenta dirigir os estudos destes pós-graduandos na área de saúde intestinal das aves. “Esse assunto tem sido muito estudado ultimamente porque é muito importante para a eficiência da produção de aves”, declarou.

Menten segue revelando que a empresa AllTech possui uma interação muito grande com universidades, incentivando jovens cientistas a aplicarem altas tecnologias em suas pesquisas. “O Cristiano conquistou o primeiro lugar na América Latina e agora seguirá para o simpósio nos Estados Unidos, ocasião em que os quatro concorrentes finais, provenientes de todas as regiões do mundo, irão apresentar seus trabalhos nesta etapa global”, concluiu.

Para Cristiano Bortoluzzi, ganhar esse prêmio é um estímulo para continuar nessa área. “Na verdade, meu interesse em fazer pós-graduação nasceu desde o meu terceiro ano de graduação. A professora Jovanir Fernandes da UFPR Palotina, com quem eu trabalhava na época, me estimulava muito também. Além disso, quando fiz meu estágio de conclusão de curso na Embrapa, o pesquisador Gustavo Lima, que é agrônomo formado na ESALQ, me incentivou fazer pós-graduação na ESALQ”, revelou.

A pesquisa premiada

O trabalho de Bortoluzzi aponta que as doenças entéricas (moléstias que provocam sintomas que variam de gastroenterite leve a infeções sistêmicas potencialmente fatais e diarreia grave) causam prejuízo na indústria avícola, pois ocasionam perda de produtividade, reduzem o bem estar das aves e desequilibram o microbioma intestinal, ponto central da pesquisa desenvolvida aqui na ESALQ. O pesquisador relata que os beta-ácidos, substâncias extraídas do lúpulo e utilizadas nos experimentos, possuem atividade microbiana. “Além do trabalho que conduzi aqui no Brasil, levei o produto aos Estados Unidos e lá avaliei a expressão gênica intestinal de aves a fim de avaliar o efeito anti-inflamatório desse composto”, explicou o cientista.

Bortoluzzi explica que a literatura cita que além do efeito antimicrobiano, os beta-ácidos podem ter efeito anti-inflamatório. “Foi realmente o que aconteceu. Os beta-ácidos reduziram a expressão de genes relacionados com a resposta inflamatória e a conclusão a que chegamos é que utilizando-se dessa substância, de fato, há melhoria na saúde intestinal das aves, sendo essa substância uma alternativa aos antimicrobianos melhoradores de desempenho utilizados nas dietas de frangos de corte”, finalizou.

Alicia Nascimento Aguiar | Comunicação / Esalq