quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Evento inédito online sobre avicultura

O AveConference Day, encontro online com transmissão ao vivo acontece amanhã, 20 de setembro, a partir das 09h 

A AveWorld realiza amanhã, dia 20 de setembro, a partir das 09h, a AVECONFERENCE DAY, o primeiro encontro online com transmissão ao vivo voltado para o segmento da avicultura. Na ocasião, serão abordados os principais temas sobre o assunto por grandes especialistas, por meio do portal www.aveworld.com.br.

A abertura do evento fica a cargo do especialista Luciano Roppa com palestra sobre a situação atual do mercado atual e perspectivas para o milho, soja e carne de frango. Em seguida, o gerente de produtos da Zoetis, Felipe Pelicioni, falará sobre as medidas de manejo para a promoção da sanidade respiratória das aves.

O encontro contará também com o consultor avícola da Ourofino, dr. José Di Fábio, para discutir sobre os problemas entéricos na avicultura moderna; o gerente técnico da BASF, Juan Hilário Ruiz, que abordará sobre o uso de enzimas para otimizar o custo e aproveitamento das rações em avicultura; e a assistente técnico-comercial da Yes e médica veterinária, Marcela Ogawa Sampaio, cuja palestra abordará sobre os produtos para melhorar o desempenho e aglutinar Salmonella e E.coli.

Cada palestra terá duração de 30 minutos, possibilitando aos participantes realizarem perguntas ao vivo aos palestrantes. A programação completa será divulgada nos próximos dias.

Programa:
09h às 09h30 – Situação atual do mercado e perspectivas: Milho, Soja e carne de Frango | Palestrante: Luciano Roppa

09h30 às 10h – Medidas de manejo para a promoção da sanidade respiratória das aves | Palestrante: Dr. Felipe Pelicioni

10h às 10h30 – Sanidade: Problemas entéricos na avicultura moderna | Palestrante: Dr. José Di Fábio

10h30 às 11h – Uso de enzimas para otimizar o custo e aproveitamento das rações em avicultura | Palestrante: Dr. Juan Hilário de Araújo Ruiz

AveConference Day
20 de setembro de 2013, sexta-feira
A partir das 09h

via Renata Cunha | Safeway

Curso de quitandas e doces permite troca de conhecimento entre agricultores mineiros

Cerca de 25 trabalhadores do assentamento Formosa Urupuca, em São José da Safira (MG), receberam um curso de quitandas e doces, na segunda semana deste mês, para terem mais uma alternativa para geração de renda.

O curso foi organizado pelo Centro Agroecológico Tamanduá (CAT), contratado pelo Incra/MG para prestar assistência técnica a 263 famílias de seis assentamentos mineiros.

Tanto o módulo de produção de quitandas, quanto o de doces foi coordenado por agricultoras familiares da região que já produzem para a venda em feiras, para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“A perspectiva é que os assentados possam aprender a trabalhar em grupo para terem um acréscimo na renda mensal e na qualidade de vida”, vislumbra Divina Silva, da associação da Comunidade Paiol, de Frei Inocêncio (MG), coordenadora do módulo de Quitandas.

O contato entre quem já produz com quem está aprendendo possibilita a troca de conhecimentos para aprimorar o trabalho. “O foco dessa oficina foi proporcionar a troca de experiência entre agricultoras de diferentes realidades na produção de quitandas e doces, o que pode conferir melhoria na renda, na autoestima e na qualidade de vida das famílias assentadas do Formosa Urupuca. Além disso, a oficina buscou motivar esse grupo, principalmente as mulheres, a trabalharem a organização coletiva da produção”, reitera Carolina Costa, técnica do CAT.

Durante a capacitação foram ensinadas receitas de pães, biscoitos, rosquinhas, doces de leite, abóbora, mamão com coco, cocada e abacaxi com coco.

via Daniel Fleming | Comunicação Incra/MG

Encontro de tecnologia para citricultura em Bebedouro

FMC e FARMatac realizam hoje primeiro encontro de Difusão de Tecnologia para citricultura no Brasil

 Especialistas internacionais, Timothy Gast (Southern Garden- Florida) e Fritz Roka (Universidade da Flórida), abordam custos de produção e avanços no manejo e perspectivas sobre o controle da doença Greening

Com o objetivo de debater informações técnicas e de ponta, a FMC e a FARMatac realizam  hoje
 (19), na Estação Experimental de Bebedouro (SP), o primeiro encontro de Difusão de Tecnologia para Citricultura, um marco para essa cultura no Brasil. Serão debatidos temas de grande impacto para os produtores, como o status de transgenia da citricultura para o controle da doença Greening (esverdeamento) ou amarelão. Produtores, agrônomos, departamentos técnicos dos grandes citricultores de São Paulo e o Grupo Técnico de Consultores de Citrus (GTACC) contarão com apresentações e debaterão os assuntos abordados. 

Especialistas internacionais marcam presença e levam suas experiências para os participantes. Às 10h15, Fritz M. Roka, da Universidade da Flórida – Immokalee, explicará o “Custos de produção da Florida com ênfase em colheita mecanizada”. Já o tema “Avanços no manejo de Greening e perspectivas futuras com relação a greening” será debatido por Timothy Gast, da Southern Gardens – Florida, maior fornecedora do mundo de suco de laranjas para indústrias. Outros assuntos como “Conhecimentos do controle da lagarta do Citros”, será abordado pelo engenheiro agrônomo da FMC, José Luis Silva e a “Atualização sobre pesquisas de controle de Greening”, por Danilo Franco, da FARMatac. 

O supervisor comercial de Citrus da FMC, Weber Marti, destaca a importância desse encontro. “Diante de todas as incertezas provocadas pela crise na citricultura, a presença desses especialistas internacionais trará benefícios para que os produtores entendam que estamos no caminho certo e com a melhor citricultura industrial do mundo. A FMC e a FARMatac transmitirão novos conhecimentos  do mercado internacional e os participantes sairão do evento com novos conceitos e rumos para aumentarem sua produtividade no campo. Queremos continuar investindo em novas tecnologias e soluções para nossos clientes, principalmente nesta cultura”, destaca Marti. 

Programação / Agenda
Data: 19/09/2013

Local: Estação Experimental de Bebedouro – Rodovia Brigadeiro Faria Lima, km 384 – Bebedouro/SP 

08:00 – Café da manhã

08:30 – 09:00 – Abertura FARMatac

09:00 – 10:00 – “Conhecimentos dos o controle da lagarta do Citros” – Jose Luis Silva (FMC)

10:00 – 10:15 – Coffee Break

10:15 – 11:15 - “Custos de produção da Florida com ênfase em colheita mecanizada” – Fritz M. Roka (Universidade da Florida – Immokalee)

11:15 – 12:00 – Troca de conhecimento.

12:00 – 13:30 – Almoço 

13:30 – 14:30 – “Atualização sobre pesquisas de controle de Greening” – Danilo Franco (FARMatac).

14:30 – 15:30 -  “Avanços no manejo de Greening e perspectivas futuras com relação a greening” – Tim Gast (Southern Gardens - Florida)

15:30 – 16:30 – Troca de conhecimentos.

16:30 – 16:45 – Fechamento do evento.


Thaís Frausto | Alfapress

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Softwares gratuitos avaliam estado nutricional de culturas

Projeto é resultado de parceria entre a Unesp e a Université Laval. Graças a dois softwares desenvolvidos em parceria com a Université Laval, do Canadá, a Unesp passa a oferecer um novo serviço em seu Portal. Trata-se de uma maneira eficaz de avaliar o estado nutricional das culturas a partir da análise química de tecido vegetal.

Isso é conseguido por meio dos programas CND-Goiaba e CND-Manga. Eles utilizam o conceito CND (do inglês, Compositional Nutrient Diagnosis), ou seja, Diagnose da Composição Nutricional, e estão disponíveis em :

Para facilitar a execução dos cálculos matemáticos e a interpretação dos resultados, foram elaborados os programas CND-Goiaba e CND-Manga, que receberam auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que poderão ser utilizados para ambas as frutíferas.

O conceito CND expressa a composição mineral dos tecidos vegetais na forma de teor de nutrientes ou valores relativos, que é a informação numérica básica para estabelecer o diagnóstico do estado nutricional das plantas. “O método emprega a análise composicional e a análise de componentes principais dos dados, tendo, pois, potencial mais elevado para melhorar a sensibilidade do diagnóstico da cultura em estudo”, explica Danilo Eduardo Rozane, professor da Unesp de Registro e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto.

Rozane informa que a atividade agrícola, sob um mercado globalizado e competitivo exige, para a efetiva permanência do empresário agrícola no campo, a utilização de todas as ferramentas disponíveis à obtenção de colheitas compensadoras, com redução de custos, riscos de contaminação do ambiente e com qualidade do produto colhido.

Para atingir esses objetivos, segundo o professor, é necessário que se conheçam os fatores que limitam o desenvolvimento e a produtividade das plantas. Nesse contexto, o conhecimento dos fatores nutricionais que estão limitando a produtividade, obtido através da diagnose foliar das plantas, permite o estabelecimento de programas racionais de adubação, prática agrícola que representa um significativo percentual dos custos de produção.

Rozane comenta ainda que numerosos experimentos de fertilização têm sido conduzidos em diversos agroecossistemas, a fim de estabelecer as doses ótimas de nutrientes à serem aplicados nas culturas, empregando-se a análise de solo.

Assim, explica o professor da Unesp, quando se efetua a recomendação de adubação em uma dada situação, considera-se que os demais fatores responsáveis pela produtividade estejam presentes em níveis suficientes e não-excessivos. Entretanto, como as relações entre os diversos componentes de um agroecosistema são complexas, em particular as interações entre o solo e a planta, a hipótese de que todos os fatores nutritivos se tornem não-limitantes após a fertilização, pode revelar-se muito otimista.

Nas páginas www.unesp.br e www.registro.unesp.br há banners que levam aos softwares. Os dois pedidos de registro de programas de computador são assim identificados:

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA "JÚLIO DE MESQUITA FILHO" - Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira (Registro, SP); UNIVERSITÉ LAVAL LAVAL (Ville de Québec, Canadá). Danilo Eduardo Rozane; William Natale; Leon-Etienne Parent; Serge-Étienne Parent; Eduardo Maciel Haitzmann dos Santos. CND-Manga. BR5120130003806. 18 abr. 2013.

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA "JÚLIO DE MESQUITA FILHO", Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira (Registro, SP); UNIVERSITÉ LAVAL (Ville de Québec, Canadá). Danilo Eduardo Rozane; William Natale; Leon-Etienne Parent; Serge-Étienne Parent; Eduardo Maciel Haitzmann dos Santos. CND-Goiaba. BR5120130003792. 18 abr. 2013.

via Comunicação / Unesp

domingo, 28 de julho de 2013

Embrapa fortalece as ações de quarentena de plantas no Brasil

Objetivo é tornar mais eficiente a detecção de pragas e contribuir para a segurança da agricultura brasileira.
 
O crescimento constante do fluxo de turistas e do comércio mundial aumenta os riscos da entrada de novas pragas no Brasil. Para se ter uma idéia dos prejuízos que a introdução de uma praga pode causar à agricultura e à economia brasileira, basta avaliar o exemplo de uma lagarta recém-introduzida no país: a Helicoverpa armigera, que surgiu nesta safra de 2013, e já causou prejuízos superiores a R$ 2 bilhões, principalmente em lavouras de soja e algodão. Não se sabe ao certo como ela entrou no Brasil, a hipótese mais provável é que tenha sido em flores ou plantas ornamentais. Mas o fato é que a praga agora está aqui e pode causar danos a mais de 30 culturas, incluindo: soja, laranja, algodão, quiabo, cebola, melão, morango, batata doce, alface, tomate, maçã, feijão, batata e milho, entre outras.

Para enfrentar os prejuízos ocasionados por essa e outras pragas, que dizimaram lavouras brasileiras em um passado recente, como o bicudo do algodoeiro e a ferrugem da soja, são gastos bilhões e bilhões de reais em produtos químicos e, na maioria das vezes, os danos são irreversíveis, levando milhares de produtores à falência. Por isso, o ideal é investir na prevenção para evitar que pragas exóticas – que não ocorrem no Brasil – entrem e causem estragos aos cofres nacionais e coloquem em risco a segurança alimentar.

Essa prevenção tem nome: chama-se quarentena vegetal e  conta com a participação efetiva da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – há quatro décadas. Desde a sua criação em 1973, a Embrapa desenvolve procedimentos de importação e quarentena dos materiais genéticos vegetais destinados aos programas de melhoramento do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

85% das plantas que chegam para fins de pesquisa estão contaminadas
Segundo a pesquisadora Abi Marques, que trabalha na quarentena vegetal há mais de 20 anos, cerca de 85% das plantas que chegam ao país para fins de pesquisa estão contaminadas com pragas. Ela explica que a quarentena é parte do procedimento de “exclusão” de uma ação de controle, ou seja, cumpre a tentativa de manter as pragas fora de determinada área onde não ocorrem. “A exclusão é, tecnicamente, a melhor opção para evitar a disseminação de pragas”, explica Marques.

Para isso, a Embrapa mantém, em uma de suas 47 unidades de pesquisa, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, DF, uma Estação Quarentenária que analisa a condição sanitária do material vegetal de pesquisa que entra no Brasil. Ao longo dos 40 anos de atuação da Empresa, cerca de 80 pragas que não existem no Brasil foram detectadas e eliminadas no ponto de entrada, em decorrência da atividade quarentenária da Embrapa. Levando em consideração que os prejuízos causados pela entrada de uma praga em apenas uma safra podem chegar a R$ 2 bilhões, dá para calcular o quanto as atividades de quarentena realizadas pela Embrapa já representaram em termos de economia para os cofres brasileiros.

O processo de quarentena prevê a análise das plantas por técnicas integradas para o diagnóstico do seu estado fitossanitário (ou seja, se estão saudáveis ou não). Visa detectar a presença de plantas infestantes e parasitas, insetos, ácaros, vírus, viróides, fitoplasmas, fungos, bactérias e nematóides, prioritariamente daquelas que constam das listas de pragas quarentenárias ausentes (A1) e de pragas quarentenárias presentes (A2) para o Brasil, definidas em Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

As pragas constantes da lista A1 são exóticas, ou seja, nunca foram relatadas no Brasil. As pragas da lista A2 estão presentes em áreas delimitadas e sob controle oficial. Se forem identificadas contaminações dessa natureza no material, ele é incinerado ou enviado de volta ao país de origem.
 
Mapeamento de pragas quarentenárias aponta 10 espécies como ameaças iminentes às lavouras brasileiras
 
As ações de quarentena desenvolvidas pela Embrapa envolvem o acompanhamento constante das pragas quarentenárias. Um mapeamento recente, realizado em parceria com a SBDA – Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária, identificou 10 novas pragas com reais possibilidades de entrar no Brasil. O estudo levou em consideração a proximidade geográfica de ocorrência das pragas e a importância econômica das culturas agrícolas que podem ser infectadas. São elas: pulgão da soja; mosca-branca “raça Q”; necrose letal do milho; monilíase do cacaueiro; amarelecimento letal do coqueiro; Striga; ferrugem do trigo; mosaico africano da mandioca; ácaro chileno das fruteiras e Xanthomonas do arroz.

Mas, de acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Marcelo Lopes da Silva, que participou do mapeamento, esse número é, na verdade, muito maior. “As dez apontadas pelo estudo são as de risco iminente, mas há cerca de 600 pragas quarentenárias ameaçando as lavouras brasileiras”, ressalta.
 
Para enfrentar esses desafios, a Embrapa criou uma nova unidade exclusivamente voltada à quarentena de plantas. O objetivo é modernizar a análise das sementes e outros materiais de propagação que são introduzidos no país ou intercambiados com outras instituições de pesquisa.

A nova Unidade, denominada Embrapa Quarentena Vegetal, está sendo gerenciada pela pesquisadora Abi Marques, e funciona por enquanto dentro da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, até que as novas instalações estejam prontas.

A sede da Embrapa Quarentena Vegetal, também localizada em Brasília (na área onde hoje está localizada a Fundação Casa do Cerrado, ao lado da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia) terá uma área de aproximadamente 2.200 m², além de 1.400 m² para quarentenários, que são casas de vegetação com características especiais, nas quais plântulas, mudas, estacas, etc. ficam em observação até poderem ser liberadas.

Na parte edificada, serão construídos laboratórios que abrigarão oito especialidades (fungos, vírus, bactérias, nematóides, insetos, ácaros, plantas infestantes e cultura de tecidos), nos quais o material vegetal em trânsito será examinado para verificar se está contaminado com organismos nocivos à agricultura brasileira. Aí também estão incluídos espaços para a parte administrativa da Unidade, assim como espaços adequados para a operacionalização e gestão documental do intercâmbio de espécies vegetais.

A pesquisadora enfatiza que o novo prédio, que já começou a ser construído, tem uma concepção prioritariamente funcional. “O prédio foi planejado para atender ao fluxo de material e amostras, ou seja, começa por salas de recebimento, documentação e registro, inspeção, contagem e separação de amostras. Depois, as amostras passam pelos laboratórios e, ao final de todo o processo, as sementes ou outros materiais de propagação, isentos de contaminação ou já tratados são embalados para serem remetidos ao solicitante”, explica Marques.

Dessa forma, as sementes que estão sendo examinadas e as que já estão liberadas não ficarão no mesmo espaço. Esse procedimento atende não somente às normas para instalações quarentenárias, como às Normas do Sistema de Qualidade adotado pela Embrapa para os laboratórios que emitem laudos de análise. “É a forma atendendo à função”, complementa a gerente-geral da nova Unidade.
   
via Rosângela Evangelista da Silva | Secom/Embrapa

Embrapa recomenda adoção de ações emergenciais contra a mais nova praga das lavouras de milho

Fabiano Bastos / Embrapa
A identificação de uma nova espécie de praga nas lavouras de milho no Brasil mobilizou um grupo de pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) a criarem ações emergenciais para controle da Helicoverpa armigera, muito próxima de uma espécie mais comum e já conhecida pela maioria dos agricultores, a lagarta-da-espiga, ou Helicoverpa zea. As ocorrências de maior severidade foram registradas no Oeste da Bahia, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos.

Segundo o pesquisador Ivan Cruz, do Núcleo de Pesquisa em Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), as diferenças entre as duas espécies são muito sutis. “Não são facilmente separadas visualmente. As diferenças estão na genitália das duas espécies”, diz. De acordo com ele, a Helicoverpa armigera é muito severa em países da Ásia, África e Austrália e tem como hospedeiros as seguintes culturas: milho, soja, algodão, sorgo granífero, painço, girassol, cereais de inverno (trigo, aveia, cevada e triticale), linhaça, grão-de-bico, feijão e culturas hortícolas, como cerejas, tomate, pepino e frutas cítricas.

Cruz reforça que o que torna a praga importante e severa é o fato de possuir alta mobilidade, polifagia e alta taxa de reprodução. “Um problema agravante ao manejo da praga tem sido também o desenvolvimento da resistência aos inseticidas, fato já documentado na literatura, especialmente em relação a piretroides sintéticos, embora já haja registro de resistência a outros grupos de compostos, como carbamatos e organofosforados”, explica o pesquisador.

Os ovos da Helicoverpa armigera são geralmente postos sobre o “cabelo” do milho, assim como a espécie H. zea. “Ao eclodir, as larvas consomem os grãos em desenvolvimento e, além desse dano direto, são comuns as infecções bacterianas secundárias”, alerta Cruz. De acordo com o pesquisador, as larvas também podem se alimentar das folhas do cartucho, das folhas mais desenvolvidas na planta e do pendão.

Uma das características que tornam essa lagarta ainda mais severa é seu ciclo de vida, que é em torno de um mês, o que permite a existência de várias gerações anuais e contínuas, especialmente nas áreas mais quentes. Ivan Cruz explica que ocorrem seis estágios larvais e a larva pode chegar a até 40 mm de comprimento quando completamente desenvolvida. A pupa é marrom escura e tem entre 14 mm e 18 mm de comprimento, com superfície lisa, arredondada, tanto anterior como posteriormente, com dois espinhos paralelos na ponta posterior.

Pesquisadores apostam no controle biológico
Segundo o pesquisador Fernando Hercos Valicente, do Núcleo de Biologia Aplicada da Embrapa Milho e Sorgo, estão sendo identificados genes promissores de Bt que possam ter eficiência comprovada contra a Helicoverpa armigera. “Estamos iniciando os testes e podemos ter algum sucesso no controle da praga”, antecipa. Segundo ele, a próxima etapa é a multiplicação dos agentes por biofábricas, primeiro em escala piloto, fase que deve ser feita por atores que tenham interesse na tecnologia desenvolvida pela Embrapa.

Ivan Cruz reforça que o principal agente de controle biológico, para liberação em nível de campo, para o controle de ovos de diversas espécies de Lepidoptera são as vespinhas do grupo Trichogramma, um inseto diminuto, porém com alta eficiência no controle das pragas. “A liberação desse agente de controle biológico deve estar associada com armadilha contendo feromônio sexual que, ao ser utilizado no campo, serve para detectar a chegada da mariposa na área-alvo e indicar a época de liberação. A armadilha, bem como o feromônio sexual, já está disponível no mercado internacional”, explica o pesquisador.

O pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo destaca que o correto manejo das pragas de milho deve considerar necessariamente a possibilidade de liberação do Trichogramma, tanto para o controle da lagarta-do-cartucho como para o controle do complexo de Helicoverpa (zea e armigera). “O alto índice de parasitismo natural de ovos da lagarta-da-espiga indica a adaptação da espécie ao agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera”, relata. “Na realidade, muito se tem pesquisado no Brasil mostrando a importância dos agentes de controle biológico das diferentes espécies de insetos fitófagos associados ao milho. Tanto em áreas de produção onde se utiliza o milho convencional, como em áreas onde há utilização de milho Bt, a importância de insetos (parasitoides e predadores) e de microrganismos como tática essencial no manejo integrado não pode e nem deve ser negligenciada”, conclui.

Documentos e Informações na Internet
A Embrapa disponibilizou, em seu portal, o serviço Alerta à Helicoverpa, com informações técnicas sobre a nova praga e medidas de controle. A Embrapa Milho e Sorgo também criou, na primeira semana de abril, o hotsite “mipmilho”, com ações relacionadas ao Manejo Integrado de Pragas.

Segundo o pesquisador Ivan Cruz, a introdução de uma nova espécie de praga no sistema agrícola brasileiro mostra a importância de se ter rotineiramente o manejo integrado como princípio fundamental, de tal modo que o produtor possa rapidamente aplicar medidas que também sejam eficientes, econômicas e ambientalmente adequadas para reduzir a população da nova praga a níveis não econômicos.

“Obviamente, as demais espécies de insetos fitófagos não devem ser negligenciadas por conta do aparecimento de novas pragas. Todo o conhecimento gerado pelas instituições de pesquisa deve ser normalmente entendido e utilizado para reduzir a probabilidade de haver prejuízos aos produtores e à sociedade como um todo”, afirma o pesquisador.

por Guilherme Viana / Embrapa Milho e Sorgo 
via Juliana Miura | Secom Embrapa

Ativista indiana é um dos destaques de Encontro de Agroecologia

Vandana Shiva estará em Botucatu para evento intenacional. A manutenção das famílias no campo, produzindo alimentos, gerando emprego e renda e contribuindo para a diminuição do êxodo rural, são alguns dos objetivos da Agroecologia, campo da ciência que utiliza técnicas de base ecológica, unindo o conhecimento científico ao saber popular, para a produção sustentável e a promoção de mais justiça no campo.

Algumas das principais questões da área serão debatidas no III Encontro Internacional de Agroecologia (EIA), que será realizado em Botucatu/SP, entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2013.

Dentre os palestrantes do evento está a indiana Vandana Shiva, figura de destaque no movimento anti-globalização e consultora para questões ambientais da Third World Network.

Shiva é física, ecofeminista e ativista ambiental. Na década de 1970, participou do movimento Mulheres de Chipko, formado por mulheres que adotaram a tática de se amarrar às árvores para impedir a derrubada e o despejo de lixo atômico naquela região. Foi uma das líderes do International Forum on Globalization, e recebeu o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prêmio Nobel da Paz.

É diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Déli, segundo ela "um nome muito longo para um objetivo muito humilde, que é o de colocar a pesquisa efetivamente a serviço dos movimentos populares e rurais, e não apenas fazer de conta que estamos ajudando-os".

Shiva é autora de inúmeros livros, entre os quais The Violence of the Green Revolution (1992), Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply (2000), Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001), Understanding Intellectual Property Rights (2002), Monoculturas da mente (Global, 2004), Guerras por água (Radical Livros, 2006).

Entre suas atividades mais recentes, incluem-se iniciativas de ampla divulgação para a preservação das florestas da Índia, a luta em favor das sementes como patrimônio da humanidade e programas sobre biodiversidade dirigidos a diferentes coletividades, além de pesquisas para o desenvolvimento de uma nova estrutura legal para os direitos de propriedade coletivos, como alternativa para os sistemas de direitos de propriedade intelectual atualmente em vigor.

Também participam do evento palestrantes renomados internacionalmente como: Miguel Altieri, pesquisador da Universidade de Berkeley/Califórnia e coordenador da Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia; Eduardo Sevilla Guzmán, catedrático do Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos da Universidade de Córdoba; Victor Manuel Toledo, pesquisador reconhecido no debate mundial sobre agrobiodiversidade e conhecimento popular.

Dentre os participantes brasileiros está Francisco Roberto Caporal, professor doutor da Universidade Federal Rural do Pernambuco, reconhecido internacionalmente pela sua influência no grupo idealizador da nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural do Brasil - PNATER.

O III Encontro Internacional de Agroecologia é uma realização da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, câmpus de Botucatu, Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais Fepaf) e Instituto Giramundo Mutuando.

Inscrições, programação completa e mais informações no site www.eia2013.org

via Comunicação UNESP