sexta-feira, 6 de maio de 2016

2016: Ano para quem sabe superar

José Luiz Tejon Megido*

Crises são ótimas, pois nos obrigam a criar. A fórmula para o enfrentamento da entropia é criatividade. Quando olhamos para o cooperativismo brasileiro, suas origens, seus desafios, vamos encontrar seres superantes da melhor espécie. Pessoas em pequenos grupos, visionários corajosos, valentes, iniciaram no passado o que hoje nos orgulhamos de ver representado pela OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, pelo atual líder, Marcio Lopes de Freitas.

Da mesma forma a superação borbulha por todos os cantos e campos do agronegócio do país. Na parábola bíblica do semeador, é recomendado “não plantar em terras fracas“. O Brasileiro que supera, transcendeu até este ensinamento e hoje colhe mais de 650 milhões de toneladas de cana em terras fracas, consideradas no passado, inviáveis. Da mesma forma a força da superação vive exemplificada na evolução competitiva sensacional da produção de grãos, da suinocultura, da avicultura, dos saltos qualitativos da carne bovina e do leite. E, iremos ver esse mesmo espetáculo superante na aquicultura dos próximos anos.

O amigo Ivan Wedekin, ex-secretário da política agrícola no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, na época do Ministro Roberto Rodrigues, me disse estes dias que o impacto do governo sobre a receita do produtor nacional é de apenas 3%. Ou seja, os produtores brasileiros têm progredido e vieram a ser nesta metade da segunda década do novo século, exemplos vivos de superação concreta, como protagonistas.

A agroindústria processadora no país, em meio a custos logísticos impressionantes, a tributação e a desgovernança pública e política, demonstra liderança global. Compete com grupos multinacionais e sistemas de proteção gigantescos. Até no carnaval, vimos o samba nas avenidas sob o ponto de vista da organização, do processo, da mesma forma com a qual a moderna carne brasileira é produzida e vendida no mundo todo. 

Ou seja, de histórias de superação não temos falta no agronegócio brasileiro. Não temos falta no setor sucroenergético que supera a cada dia depois de ter passado pela última crise em 2014. Temos uma representante como a Beth Farina, presidente da UNICA, com tamanha integridade e competência. Basta querer ver. E o ano exige foco nos fundamentos do negócio. O ano exige ênfase em vendas. O ano exige clarificar. E, com quem vamos nos relacionar para irmos ao futuro!?

Na minha tese de doutorado, batizada “A pedagogia da superação”, realizei vários estudos com grupos humanos e observei pessoas que, sob circunstancias difíceis superaram. Fiz a comparação com outros, que sob as mesmas condições fracassaram, fraquejaram e se permitiram ao abandono. Sim, ao desistir abandonamos, e acima de tudo, abandonamos a nós mesmos. Nesse estudo encontrei 10 fatores vitais, essenciais presentes naqueles que aprenderam a superar. Sim, é uma pedagogia. Significa conhecer, ter possibilidade de aprender, de ensinar e de ser algo viável como aprendizagem. Dessa forma, para superar precisamos tomar consciência e desenvolver esses 10 fatores fundamentais:

1- Limiar de dor: Pessoas que superam são muito mais resilientes, sofrem, choram, caem, mas sabem suportar dores que afugentam e atemorizam aqueles que não superam.

2- Protagonistas versus vítimas: Pessoas que superam foram ensinadas ao protagonismo, jamais vitimização.

3- Talentos e habilidades: pessoas superantes guardam dentro de si um dom, uma vocação. Sabem fazer obras extraídas de si e, com esse poder geram fatos para superação das circunstancias.

4- Amabilidade: gente que supera é amável. Quer dizer atraem ajuda. Os fatores incontroláveis, a incerteza e o acaso estão presentes na ordem do universo. A amabilidade atua como fator de atração das ajudas e de caminhos de oportunidades. Terminam por receber dos outros, luzes inestimáveis.

5- Engajamento em profundidade. Gente que sabe superar é engajada. Atuam na vida comprometidos em corpo, alma e espírito. Dessa forma enxergam e captam o que escapa a maioria. 

6- Capacidade de amar. A superação exige amor. Significa concentração e foco, e um olhar apaixonado pela causa, pela coisa, pelo objetivo a ser superado. Amar será sempre a capacidade da renovação do amor.

7- Crianças vivas dominantes: adultos que superam são aqueles que conseguem manter suas crianças vivas interiores fortes, curiosas, estimuladas, vibrantes e animadas. Aprendem a aprender.

8- Inteligência emocional: a superação ao ser obtida exige estabilização, inteligência emocional. As disrupturas foram grandes, e é chegada uma hora de construir em alicerces firmes.

9- Foco priorizado em valores: os valores fundamentais e eternos precisam estar presentes, e preservados, como uma coluna dorsal sobre a qual as lutas existirão, mas serão as fortalezas, as sabedorias que nos farão vencer não apenas a curto, mas a longo prazo. A superação que vale é aquela que pode ser julgada pelo tempo.

10- Criatividade: o poder criador humano é um talento divino, uma competência que nos permite criar valor a partir da própria vida e sob quaisquer circunstancias. Criamos do lixo, criamos da crise, criamos do nada, e podemos criar com o que já temos nas nossas mãos, como exemplificamos na música, tocando sucessos diferentes com os mesmos 4 acordes.

Esses 10 ingredientes encontrei nos meus estudos e estão presentes nos casos e seres humanos que superam. Neste ano de 2016, temos mudanças para enfrentar, sistemas internacionais em conflito, choques multiplicados e alavancados pela interatividade mediática. “Disruption“ é um nome desta era. Mutação acima de transformação. Velocidade. Gerações midiáticas, quer dizer imediatas e mediáticas. Porém, será exatamente desta era, que veremos sair uma maior consciência de sustentabilidade, de saudabilidade, de empreendedorismo e volta a um novo campo, ao melhor cooperativismo e ao inexorável ser humano global.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. 

Mais informações no website: 

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segunda-feira, 28 de março de 2016

Morre Torpedo, atual líder do Sumário Girolando ¾

Touro entrou para a história ao ser líder do teste de progênie no Girolando ¾ ao atingir a marca de 100 mil doses de sêmen comercializadas com menos de três anos de produção na ABS

Morreu este mês, aos 9 anos de idade, Torpedo Bolton Santa Luzia, um dos principais touros da Raça Girolando e um dos líderes e recordistas de vendas da ABS Pecplan. 

Provado no teste de Progênie da Associação da raça, o reprodutor ganhou ainda mais destaque como líder do Sumário Girolando ¾ em 2015, quando também garantiu a segunda colocação no geral, com PTA de 594,27 kg de leite.

"O Sumário é realizado com base em provas desenvolvidas pela equipe técnica da Embrapa/Girolando, que avaliam a confiabilidade da genética. É a maior prova de que Torpedo era um touro fantástico que deixou sua marca na história da nossa bateria e também na da raça", comenta Fernando Rosa, gerente de Produto Leite Tropical da ABS Pecplan.

Entre seus feitos, Torpedo foi o mais jovem touro a atingir a marca de 100 mil doses de sêmen comercializadas com menos de três anos de produção na Central da ABS em Uberaba (MG). Filho de Bolton (o holandês que é líder mundial de vendas e que ainda carrega uma prova de teste de progênie equilibrada com altos índices para leite e correção de úbere e pernas e pés), ele deixa um legado importante de milhares de filhas grandes produtoras de leite em diversos plantéis brasileiros.

Fernando Rosa explica que Torpedo foi produzido por meio de um acasalamento dirigido que uniu um grande patriarca (Bolton) e uma família consistente da Quartinha Terra Vermelha. No final de 2015, o touro deixou a Central da ABS, quando começou a apresentar stress bastante acentuado comprometendo sua produção de sêmen, e voltou a morar na Fazenda Santa Luzia, em Passos, Minas Gerais. "Há algum tempo, Torpedo apresentou uma ligeira afecção de casco, que estava sendo tratada. Mas, embora medicado, não apresentou sinais de melhora e morreu no último dia 18 de março" relata um dos proprietários do touro Maurício Coelho, do Grupo Cabo Verde.

Faeza Rezende

terça-feira, 1 de março de 2016

Agricultura Familiar recebe 1100 itens para a realização de feiras livres

Agência Minas

Doze prefeituras e três sindicatos de trabalhadores rurais foram beneficiados com ação da Seda

Cada região recebeu um kit composto por 10 barracas, 20 jalecos, 60 caixas plásticas e duas balanças digitais | Divulgação/Seda

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda) entregou nesta segunda-feira (29/2) mais de 1.100 itens para a realização de feiras livres em 13 municípios mineiros. O termo de doação beneficiou 12 prefeituras e três sindicatos de trabalhadores rurais. A expectativa é que neste ano o programa atenda mais 140 municípios mineiros.

O secretário Glenio Martins destacou que o Programa de Apoio às Feiras Livres busca ampliar a venda de produtos orgânicos. “Estamos trabalhando cada vez mais no sentido de tornar o agricultor familiar um pequeno empresário. Ao mesmo tempo, consumidor também é beneficiado com o programa, pois adquire um produto de qualidade, com preço justo e pode influenciar inclusive nos métodos de produção”, disse Martins.

Cada região recebeu um kit composto por 10 barracas, 20 jalecos, 60 caixas plásticas e duas balanças digitais. O investimento da Seda foi de mais de R$ 120 mil. Treze municípios foram beneficiados: Arcos, Bonfinópolis de Minas, Brazópolis, Capitão Enéias, Ervália, Itambacuri, Itamonte, Jeceaba, Leme do Prado, Ribeirão das Neves, São Gonçalo do Rio Preto, Tocantins e Uberlândia.

Para a agricultora familiar Maria Aparecida Machado, representante do Sindicato de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais de Uberlândia, os kits irão abrir novos horizontes para a agricultura familiar local. “Sem a barraca a gente não podia vender os produtos na rua, agora tudo ficará mais organizado. Estávamos com a verdura toda em casa, perdendo, o kit vai abrir novos horizontes para nós”, disse.

“O nosso município é pequeno e tem a agricultura como fonte de renda, inclusive a agricultura familiar. Com o kit vamos ampliar e dar melhores condições técnicas para o agricultor familiar comercializar seus produtos”, disse Márcio Manoel Moura, prefeito do município de São Gonçalo do Rio Preto.

Para este ano, a novidade na entrega dos “kits-feira” são as balanças digitais, que tem como objetivo, garantir o direito do consumidor sobre o peso dos alimentos comprados. O programa visa dar ao agricultor familiar mais infraestrutura para expor e vender suas mercadorias. As feiras livres são um importante canal de comercialização que reduz a distância entre alimentos e consumo. Garantindo assim, o desenvolvimento e dinamização da economia local.

Também participaram da solenidade de entrega a secretária-adjunta, Fabiola Silva; os subsecretários Luiz Ronaldo Carvalho (Agricultura Familiar) e Danilo Araújo (Regularização Fundiária); o deputado federal, Reginaldo Lopes; o deputado estadual, Cristiano Silveira; o Secretário Executivo dos Fóruns Regionais Metropolitana, Ronaldo Manassis, entre outras autoridades.

Março é mês de preparar a silagem para alimentar o gado durante a seca

Agência Minas

Nesta época do ano a capacidade de produção pecuária é maior em razão do regime de pasto

Silagem de sorgo através do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária com plantio em consórcio, junto com capim | Divulgação/Emater-MG

As chuvas do início do ano recuperaram boa parte das as pastagens do Estado e ajudaram os pecuaristas a alimentar o rebanho. Mas o momento também é de preparo para enfrentar os meses de estiagem que não demoram a chegar.

De acordo com o coordenador técnico de Bovinocultura da Emater-MG, José Alberto de Ávila, nesta época do ano a capacidade de produção pecuária é maior em razão do regime de pasto. “O período de chuvas favorece o regime de pasto, com um custo de produção mais barato. A dúvida é daqui a 90 ou 120 dias, quando o pasto cai de qualidade e o produtor depende de suplementação com a utilização da silagem. Por isso é importante planejar a produção”, destaca.

A silagem é uma forragem – capim, milho, sorgo, etc – que é cortada, compactada, vedada e armazenada em silos para fermentação. Quando bem feita, o valor nutritivo da silagem é semelhante ao material de origem. Na época de seca, ela pode substituir o pasto e, por isto, é conhecida como suplementação volumosa.

Março é o mês que se intensifica a processo de silagem, com produção do material volumoso que foi plantado para esta finalidade. O processo de ensilagem vai do corte até a proteção do silo. Nesta fase, é preciso preservar ao máximo a qualidade da forragem produzida.

“Para preparo da ensilagem, o produtor precisa estar atento ao ponto de corte, pois a qualidade da silagem depende da correta determinação do momento de corte. No caso do milho, a planta deverá apresentar teor de matéria seca na faixa de 30 a 35%. Já no corte para ensilagem, a picadeira deve estar bem regulada e com as navalhas sempre em boas condições para proporcionar uma boa picagem do material. O tamanho da partícula ideal é de 0,5 a 1,5 cm”, explica o coordenador da Emater-MG.

De acordo com Ávila, a compactação da silagem é uma operação de grande importância. O objetivo é expulsar o ar do interior da massa verde que está sendo ensilada, conseguindo um ambiente anaeróbico (sem oxigênio). A ação visa obter fermentação desejável (alta produção de ácido láctico). Quando o material se apresenta no ponto ideal de ser ensilado, a compactação bem preparada proporciona uma densidade de silagem da ordem de 650 a 700 kg/m3.

Outras questões importantes são o tempo de enchimento, a vedação e a proteção do silo. “São etapas que impedem o retorno de ar na massa verde e a entrada de animais. Perfurações na lona dão oportunidade à entrada de ar ou de água de chuvas eventuais para o interior da massa ensilada e causam perda de qualidade”, conclui.

Etapas da produção

Para obter silagem de alta qualidade é necessário estar atento a todos os pontos básicos que se relacionam com a atividade, tanto na fase de produção (que vai da análise de solo até o ponto de corte) como na fase de ensilagem (que vai do corte até a proteção do silo).

Segundo Ávila, quando trabalha com o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) a primeira fase de produção começa entre maio e junho. “Primeiro é recomendado fazer análise de solo do pasto e aplicação de fertilizantes no pasto. Já em setembro é preciso retirar os animais do pasto para a rebrota do capim e formação da palhada e em outubro fazer aplicação de herbicida dessecante. Em novembro acontece o plantio direto do milho e em seguida duas adubações de cobertura. É preciso ficar atento à pulverização, para o controle de pragas. Em fevereiro retoma o processo de ensilagem”, ressalta.

Novo mercado

Os pecuaristas estão com uma nova possibilidade no mercado, a venda de silagem. A comercialização acontece com duas possibilidades. A primeira, mais viável, oferece a venda do milho no ponto para ensilar. E a segunda possibilidade é a venda da silagem pronta para alimentar os animais ou ensilar novamente.

“Na primeira alternativa é recomendado transportar com rapidez e ensilar o material em local próximo ao fornecimento dos animais e seguir os mesmos cuidados na compactação e vedação do silo. Na segunda opção, comprando a silagem já pronta, a chance de perda de qualidade é maior. Cada vez mais o produtor está se especializando na produção, se quem faz o plantio do milho possui todos os equipamentos necessários para conduzir uma excelente lavoura, a compra da silagem é a melhor opção”, destaca José Alberto.

Etapas da produção da silagem
Maio e junho – Análise de solo do pasto e aplicação de fertilizante
Setembro – Retirada dos animais do pasto para a rebrota do capim e formação da palhada
Outubro – Aplicação de herbicida dessecante
Novembro – Plantio direto do milho e duas adubações de cobertura
Dezembro – Pulverização para controle de pragas
Fevereiro e março – Colheita e ensilagem

Educação sanitária tira agroindústria familiar da informalidade e fomenta negócios

Agência Minas

Para este ano, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) prevê 40 cursos para mais de 500 agricultores familiares

Agroindústria familiar de mel, em Bom Despacho, na região Centro Oeste do estado | Viviani Melo

O apicultor João Bosco de Assis, dono de uma agroindústria de mel, em Bom Despacho, no Centro Oeste de Minas, está sempre antenado com as exigências da legislação sanitária e do mercado. Ele sabe que adotar boas práticas é essencial na qualidade do produto e abre portas para a comercialização.

João é também um dos frequentadores assíduos dos cursos gratuitos de boas práticas de fabricação e educação sanitária oferecidos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas) e o Instituto Ernesto Antônio de Salvo (Inaes).

Foi justamente nesses cursos de capacitação que o apicultor ampliou os conhecimentos sobre os cuidados no uso de utensílios, manuseio e limpeza dos equipamentos, forma correta de fazer a coleta das caixas de mel, centrifugação e transporte do produto. “Com esses conhecimentos a gente passa a produzir com mais qualidade”, afirma o produtor.

Agregação de valor e abertura de mercado

A agroindústria familiar de João Bosco possui 700 colmeias, de onde são retiradas de 10 a 20 toneladas de mel por ano. As boas práticas garantiram à agroindústria uma permissão provisória para a comercialização de mel em todo o estado. Além disso, o apicultor está perto de conseguir do IMA o registro definitivo de habilitação sanitária. O processo está na fase final.

As adequações agregaram valor ao mel, que já possui selo de produto orgânico. Outro benefício foi a abertura de mercado comprador. A agroindústria familiar de João Bosco vende parte da produção de mel para o Programa Nacional de Alimentação escolar (PNAE) e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, e o restante vai para uma indústria brasileira de exportação.

Regularização

A trajetória do produtor João Bosco é um exemplo das vantagens e benefícios da educação sanitária direcionada à agroindústria familiar em Minas Gerais. Os cursos de boas práticas de fabricação são iniciativas direcionadas à adequação das estruturas físicas das agroindústrias.

Em 2015, o IMA e o Senar realizaram 34 cursos de capacitação, com a participação de mais de 400 produtores em todo estado. Para este ano, estão previstos outros 40 cursos com previsão de atender mais de 500 agricultores familiares.

Segundo o gerente de Educação Sanitária e Apoio a Agroindústria Familiar do IMA, Gilson de Assis Sales, as ações estão alinhadas com a legislação estadual nº 19.476/2011, que trata da regularização das agroindústrias familiares. “O foco é a mudança de comportamento dos produtores, a consequente melhoria da qualidade do que é produzido, garantia da segurança alimentar dos consumidores e a regularização formal da agroindústria”, ressalta Sales.

O IMA informou que, no ano passado, foram realizadas cerca de 550 vistorias em agroindústrias familiares do estado. Essas averiguações têm o objetivo de acompanhar o processo de regularização sanitária e de orientar os produtores, inclusive na confecção da rotulagem correta. “A regularização da agroindústria familiar tem papel fundamental no desenvolvimento regional, porque gera emprego, renda e fortalece a economia local”, conclui o técnico do Instituto.

Vacinação

A política de educação sanitária é ampla e também envolve ações para a saúde animal. O Programa de Apoio a Saúde Agropecuária (Pasa), uma parceria entre o IMA, Inaes e o Senar Minas, por exemplo, tem como uma das propostas treinar trabalhadores rurais para serem vacinadores autônomos em suas regiões, principalmente onde há carência de médicos veterinários.

Com isso, o programa ajuda a ampliar a vacinação no estado. No ano passado, foram capacitados 351 trabalhadores em diversas localidades do estado. “Esse programa tem um benefício extra que é seu aspecto social, pois gera trabalho para esses vacinadores autônomos”, desta Gilson de Assis Sales.

Cidadãos conscientes

Outra meta da educação sanitária é formar futuros cidadãos conscientes da importância da agropecuária para a produção sustentável. Nessa linha de proposta, está um dos programas mais antigos do IMA, o ‘Sanitaristas Mirins’, direcionado aos alunos de 8 a 11 anos das escolas públicas municipais e estaduais.

Na prática, os técnicos do IMA treinam os professores com palestras e material didático sobre assuntos como defesa sanitária, cuidado com animais, controle de pragas e preservação ambiental. Depois, esses conhecimentos são incluídos na didática pedagógica. Um livro, intitulado “A educação sanitária no dia a dia dos alunos – descobrindo a agropecuária na escola”, que trata dos temas de forma lúdica, é distribuído a professores e alunos.

O ‘Sanitaristas Mirins’ é realizado todos os anos e tem a parceria da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda). Em 2016, o projeto está previsto para começar em março, com a meta de atingir cerca de 3,5 mil alunos e professores em todo estado.

Desde a implantação, em 2003, o ‘Sanitarista Mirins’ já treinou mais de 100 mil alunos e professores. “O programa faz com que as crianças se tornem multiplicadores, levando as informações para a família e para a comunidade onde vivem. Elas influenciam na mudança de comportamento dos pais”, observa Sales.

Mais Ações

De acordo com o IMA, outras medidas reforçam a educação sanitária no estado, como o aperfeiçoamento e atualização da equipe técnica do instituto. Para os produtores rurais, existem reuniões, palestras e cursos de defesa sanitária animal, vegetal, de certificação e inspeção de alimentos.

Serviço:

Outras informações sobre serviços e cursos oferecidos pelo IMA podem ser obtidas em:

Site institucional - www.ima.mg.gov.br
E-mail do Fale conosco: ima@ima.mg.gov.br
Facebook institucional: IMAInstitutoMineirodeAgropecuaria

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Prazo final em MG para o registro de granjas é 29 de fevereiro

IMA alerta produtores que 29 de fevereiro é o prazo final para o registro de granjas 

Após essa data os estabelecimentos sem registro não poderão receber novos alojamentos de aves e estarão sujeitos a multas.

Termina em 29 de fevereiro o prazo para que sejam registradas no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) as granjas de frango e peru de corte e de galinha de postura, além dos estabelecimentos de criação de outras aves como codorna e faisão, destinadas à produção de carne e ovos para consumo humano. O registro é obrigatório e está estabelecido na Portaria 1555 do IMA, de 15/12/2015.

As granjas que não fizerem o registro ou que não firmarem com o IMA até 29/2/2016 o compromisso de fazê-lo estarão proibidas de receber novos alojamentos de aves a partir de 1º de março e ficarão sujeitas às sanções previstas em lei. 

Para auxiliar os produtores na adequação e registro desses estabelecimentos, o IMA produziu uma cartilha, intitulada “Registro de Granjas Avícolas Comerciais”, disponível para consulta gratuita em www.ima.mg.gov.br

Prevenção à influenza 

Médica veterinária e responsável pelo Programa Estadual de Sanidade Avícola do IMA, Izabella Hergot explica que o registro implica na adoção de medidas de biosseguridade preventivas à influenza aviária, uma vez que o vírus dessa doença já foi registrado em granjas dos Estados Unidos e poderá chegar ao Brasil pelo processo de migração das aves para o nosso continente. 

A doença traz graves prejuízos econômicos para os produtores, pois aves contaminadas com o vírus devem ser exterminadas junto com todo o respectivo plantel, o que prejudica também o fornecimento de produtos (carne de frango e ovos) para os consumidores. Como é uma zoonose, essa doença pode ser transmitida ao homem, que pode ir a óbito. 

A veterinária do IMA explica que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou em 2007 a Instrução Normativa número 56, estabelecendo os procedimentos para registro, fiscalização e controle das granjas avícolas comerciais e de reprodução em todo o país. Os avicultores tiveram um prazo até 2012 para se adequarem à nova legislação, mas muitos ainda estão irregulares. “A edição da portaria 1555 pelo IMA concedendo novo prazo para o registro foi uma forma de ajudar os produtores a regularizarem a situação dos estabelecimentos avícolas ainda sem o registro”, explica. 

Minas Gerais ocupa o segundo lugar na produção nacional de ovos, com 11,2 milhões de caixas com 30 dúzias em 2014.

Vanúsia Duarte | IMA, via Márcia França de Azevedo (SEAPA)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Nova edição da revista Visão Agrícola aborda o milho

Publicação da ESALQ destaca que o Brasil amplia cultivo para atender demanda crescente

A cultura do milho tem passado por uma série de transformações no Brasil, inclusive aquelas voltadas a tornar o referido grão uma cultura mais nobre, para os consumidores, e rentável, para os produtores brasileiros. Nesse sentido, a nova edição da revista Visão Agrícola, publicação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), traz uma série de aspectos e ações que contribuíram para a alavancagem dos negócios atrelados à cultura do cereal.

A edição parte de um resgate histórico do milho no Brasil e no mundo, passando por temáticas relacionadas às inovações tecnológicas pertinentes à cadeia de produção, incluindo: seu melhoramento genético, sua fisiologia, o manejo do solo, os processos de proteção, a aquisição de insumos e a própria cultura; a utilização de técnicas mais eficientes voltadas a atividades de colheita, armazenagem e beneficiamento; industrialização e comercialização dessa – agora – commodity agrícola.

Os grandes desafios da cultura também são objeto de atenção dessa edição: as questões ambientais, os processos de reposição da fertilidade dos solos, os transgênicos e a efetividade do controle de pragas, entre outros.

Segundo especialistas, nos próximos 10 anos o preço do cereal deve aumentar 5,5% ao ano e a produtividade deve crescer cerca de 5,2 t/ha, com a ampliação das exportações.

Esse e outros exemplares da revista Visão Agrícola podem ser acessados no site http://www.esalq.usp.br/visaoagricola/

Os artigos da edição sobre o milho estão disponíveis neste link: http://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/Esalq-VA13-Milho.pdf

Caio Albuquerque | Comunicação/Esalq